Mostrando postagens com marcador tutorial. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador tutorial. Mostrar todas as postagens

05 fevereiro 2010

Dicas para Cartunistas Iniciantes da King Features.

No site da King Features (uma das maiores distribuidoras de tiras do mundo) tem uma seção para quem deseja submeter suas tiras à avalição deles e, quem sabe, ter o seu trabalho distribuido por eles. E lá tem esse FAQ com dicas para cartunistas iniciantes que foi toscamente traduzido por mim e está aqui abaixo. São dicas legais para quem está começando.

VOCÊS PODEM ME DAR ALGUMAS DICAS QUE AUMENTEM A MINHA CHANCE DE SUCESSO?

A melhor maneira de aumentar as suas chances de sucesso é praticar. Apenas desenhando e escrevendo cartuns é que você vai ficar bom nisso. Invariavelmente, os cartunistas dos quais nós gostamos mais são aqueles que desenham cartuns regularmente, tendo um público que leia seus cartuns ou não.

Outra chave para o sucesso é ler bastante. Leia todo tipo de coisas – ficção, revistas e jornais- Humor é baseado na vida real. O quanto mais você souber sobre a vida real, mais você poderá escrever com humor sobre ela.

QUAIS SÃO OS ERROS MAIS COMUNS COMETIDOS POR ASPIRANTES A CARTUNISTAS?

Eles frequentemente colocam muita ênfase em um personagem novo ou uma situação nova. Uma tira estrelada por uma girafa não vai ter sucesso só porque nunca houve uma tira com uma girafa antes. Humor é o mais importante elemento das tiras de sucesso, seguido de perto por personagens bem definidos e interessantes.

Em muitos casos, aspirantes a cartunistas estebelcem para si próprios premissas muito limitadas. Quadrinhos para distribuição em jornais são feitos para durarem décadas. Um cartum sobre um personagem que sempre cai dormindo na hora errada ou fala apenas sobre um tópico dia após dia vai rapidamente se tornar repetitivo e chato. Crie personagens e situações que vão permitir muitos caminhos para o humor no futuro.

Muito poucos cartunistas prestam atenção no lettering. As letras precisam ser nítidas e grandes o suficiente para que possam ser lidas sem dificuldade.

Jornais normalmente imprimem tiras em torno de 6-1/6” de largura. Eles usualmente imprimem cartuns de um quadro com 3-1/8” de largura. Vá até um xerox e faça uma redução das suas tiras para o tamanho de impressão dos jornais e veja se ainda está legível quando reduzido. E não deve ter muita coisa escrita também. As pessoas preferem ler tiras curtas e rápidas. Muitos aspirantes não usam tinta (N.T. waterproof drawing ink) para artefinalizar os seus desenhos. Lápis, canetas esferográficas e canetas com ponta de feltro não geram um material bom o suficiente para reprodução. Aspirantes a cartunistas devem aprender a usar canetas e/ou pincéis com tinta.

E finalmente, muitos aspirantes criam tiras que são muito similares às tiras que já fazem sucesso. Editores de jornal não vão querer imprimir algo igual ao que eles já imprimem.

O QUE VOCÊS PROCURAM NO MATERIAL SUBMETIDO A ANÁLISE?

Nós procuramos tirinhas que simultaneamente sejam atraentes para os editores que compram e para os leitores cujo interesse deve se manter por muitos anos. Nós não temos uma fórmula que nos diga quais tiras vão fazer isso, mas procuramos alguns elementos em que nós acreditamos.

Primeiro, nós procuramos a unicidade que reflete a visão individual do cartunista sobre o mundo e o humor. Se nós enxergamos essa visão, nós observamos se o cartunista está focando a sua atenção em eventos que as outras pessoas possam se relacionar.

Segundo, nós cuidadosamente estudamos a capacidade de escrever do cartunista. Um bom roteiro ajuda uma arte fraca mais do que uma boa arte ajuda um roteiro fraco. Mas uma arte boa é importante também. É o que atrai os leitores para uma tira em um primeiro momento. Nós olhamos se a sua arte é clara e com impacto visual. Nós queremos que a sua tira se destaque na página.

Finalmente, nós observamos a sua capacidade de sustentar um alto nível de material. Nós queremos quadrinhos que os leitores vão apreciar por anos e anos.

19 agosto 2009

Tutorial "Making Of" das tiras

Como eu sei que tem muitos quadrinhistas, aspirantes a quadrinhistas e curiosos que olham esse blog, resolvi que seria legal compartilhar alguns conhecimentos e experiências. Inaugurando a seção “Tutoriais” aqui do Contratempos Modernos, falarei do basicão: Como desenhar tirinhas. Mais precisamente, como “eu” desenho as tirinhas aqui do blog. Então vamos ao ‘passo-a-passo’.

1 – IDÉIA. Ter a idéia para a tira é a coisa mais complicada para mim. Às vezes a idéia simplesmente vem do nada, mas geralmente tenho que espremer o cérebro. Nesse segundo caso, para que as idéia venham, começo a pensar sobre o que gostaria de falar, ou no que estou com vontade de desenhar e começo a brincar com a idéia, faço alguns esboços e penso “o que poderia acontecer de engraçado com essa situação?” Essa parte do processo, como disse o Bill Watterson, “para o leigo, se assemelha notavelmente com ‘vagabundear’.”

2 – ROTEIRO. Uma boa sacada não é garantia de uma tira boa. É necessário trabalhar em cima. Quantos quadrinhos utilizarei? O que vai acontecer em cada quadrinho? Como vou conseguir o clima que eu quero? Eu gosto de fazer um breve desenho com bonecos palito e descrevendo as cenas. Mudo os texto milhares de vezes até encontrar o ideal. Ajuda a ver como a idéia funciona no papel. Essa é a hora de trabalhar versões da tira para ver qual funciona melhor. Muitas vezes, nessa etapa, a tira acaba se transformando em algo completamente diferente da idéia original. Quando eu publico aquela tira que ninguém entende, normalmente é porque eu não dediquei tempo suficiente a esse passo.

3 – DESENHO. A proporção padrão de tirinhas é 13’’x 4’’.(bom, é esse tamanho que os syndicates americanos recomendam, então adotei para mim). Você pode desenhar de qualquer tamanho, desde que mantendo a proporção.Eu gosto de desenhar grande, então pego uma folha A3 (sulfite mesmo), corto em 2 e faço um retângulo de 40cm X 12,3cm em cada metade (fig. 1).





Faço os desenhos com uma lapiseira 0.9, apagando e redesenhando (riscando bem de leve, pois vou ter que apagar os riscos depois) até os desenhos ficarem minimamente do meu agrado (fig. 2) Ao final dessa etapa, muitas vezes eu me dou conta que tenho que voltar ao passo 2, e às vezes ao passo 1, pois a tira ficou uma porcaria.




4 – ARTE FINAL – Eu artefinalizo com nanquim escolar e um pincel redondo n° 4 e uso líquido corretivo para alguns erros. Uso uma caneta de retroprojetor para fazer as molduras dos quadrinhos e então apago os riscos a lápis que tenham ficado. Pronto! Tudo da maneira mais low-tech possível. (fig. 3) Eu usava caneta para toda a arte final antigamente, mas acho que o pincel dá mais possibilidades e expressividade no traço, além de ficar mais fácil fazer as grandes áreas pretas que eu gosto. Para quem gosta de caneta, pelamordedeus usem canetas com tinta permanente, ou naquim. Com canetas vagabundas, do tipo hidrocor, os seus desenhos desaparecerão em alguns meses.

4 - DIGITALIZAÇÃO. Como eu desenho em folha A3, tenho que escanear o desenho em duas partes e depois juntar no Photoshop. Então arrumo o contraste, para deixar o branco, branco e o preto, preto. É nesse momento que coloco os textos dos balões (mudo eles mais um milhão de vezes atrás do ideal) e arrumo algumas imperfeições desagradáveis nos desenhos. Se quiser colocar cores, esse é o momento. Depois de tudo isso é só salvar a imagem. Eu salvo ela com 580 pixels de largura (para poder postar no blog sem que ela tenha que ser reduzida pelo blogger para um tamanho que ninguém consegue enxergar) e 72 dpi.

Agora é só postar no blog e voilá.