16 janeiro 2009

23° Festival de Cinema de Contratempos Modernos

O vigésimo terceiro festival internacional de cinema de Contratempos Modernos acontecerá no próximo fim-de-semana (veja os horários na programação de cinema) na Sala da Dona Zefa (Rua Bibocas, s\ número, fundos), um cultuado reduto dos amantes da sétima arte. Para esta edição, além dos filmes que tradicionalmente concorrem às categorias como melhor curta, melhor longa, melhor longuíssima (para filme com mais de 12 horas de duração), melhor ator, atriz e transexual, teremos a apresentação, pela primeira vez no Brasil, de dois clássicos do cinema que serão apenas parte da amostra, não sendo concorrentes, pois com certeza são obras maiores e hors-concours.

Chin-chin No Akara Je – De Meh-chi Noteu ( Coréia-Japão-Argentina/ 1975)
A primeira, e mais fiel representação da maior obra da poesia japonesa, Tapa Nakara, do poeta Toshiro Sifu, segue à risca as 35 mil páginas do poema, mas apenas 17 mil páginas são recitadas literalmente, tendo o resto do poema sido brilhantemente adaptada para linguagem visual pelo diretor Meh-chi Noteu, que morreu logo após o fim das filmagens de uma súbita explosão escrotal, mal que normalmente só atinge os espectadores. Em suas maravilhosas quase 23 horas de filme, um balão sem nome procura o seu dono, o pequeno Jiraia Jaspion Changemen, e esta busca se mostra uma belíssima história de angústia, redenção e honra que deixa inúmeras lições para vida, como a do título do filme, que numa tradução livre significa “Há um homem em pé, vestindo uma saia de bolinhas azuis, no alto da colina”.
“Uma controvérsia envolve esse poema”, diz Meh-Chi para um dos nossos repórteres paranormais, “mas eu só fiquei sabendo disso depois que já tinha acabado de filmar, meu empresário me obrigou a fazer esse filme”. Pesquisadores garantem que “Tapa Nakara” seria uma biografia não autorizada do Imperador Lu-lah III, já que a trajetória do balão e a do imperador tem vários pontos em comum, como o encontro com o dragão alado com cabeça de passarinho e corpo de passarinho também e a morte honrada por explosão ao se bater contra um alfinete. Sifu sempre negou que o poema seja uma biografia, dizendo que se baseou em uma pesquisa que fez a respeito de para onde vão parar os meninos que se perdem de seus balões, e que seu poema seria mais um relato-denúncia-lírico do que um épico biográfico.
Como o filme nunca foi lançado no Brasil, ele será projetado com som original em japonês e com legendas em húngaro.


Felice, felicitá! - De Giacarlo Piccadura (Italia/1932)
O primeiro filme sobre a “alegria italiana não importa o que aconteça”, movimento que rege o cinema daquele país até hoje, conta a história da família Bolognesa que, ao início da primeira guerra mundial, tenta superar a morte do patriarca Spaghetti Bolognesa, de sífilis, ao mesmo tempo em que vê a guerra se aproximando com todo terror e destruição que ela traz, mas sem perder a alegria de viver. O filme se tornou célebre pela cena onde a casa dos Bolognesa é atingida por uma bomba, ferindo gravemente o pequeno Capelletti, que agoniza durante 20 minutos antes de morrer enquanto seus 17 irmãos continuam bebendo vinho, falando e rindo alto ao lado dos destroços da pequena cabana. Neste momento, enquanto olha para o seu pequeno irmão morrendo dilacerado, Ravioli, o irmão mais velho, diz a máxima que se tornou a frase mais famosa do cinema italiano: “Gostaria de poder vê-lo, meu irmão, mas entrou em estilhaço de bomba no meu olho e acho que estou cego.” Então todos riem, brindam e cantam em uma das cenas mais alegres do cinema universal.
Como o filme nunca foi lançado no Brasil, o filme será projetado dublado em japonês com legendas em húngaro.
Lembrem-se de chegar cedo, pois a Sala da Dona Zefa possui apenas 10 lugares. As senhas começarão a ser distribuídas às 8 da manhã de sábado, no local.

7 comentários:

cinéfila taradona disse...

...minhassantamadrepaulinadocoração agonizantedejesuscrucificado!
Isto é imperdível!
Lá estarei!

Anônimo disse...

Faltou citar o Vinicius como inspiração total disso. Tá faltando idéia?

não custa lembrar disse...

...arte não é idéia, é estilo.

Anônimo disse...

arte?

Anônimo disse...

"A literatura é, afinalde contas, uma monstruosa série de imaginações."(Sylvia Molloy no prefácio da obra:- O livro dos seres imaginários- de Jorge Luis Borges.

papito disse...

uehuehue explosão escrotal, muito boa hehe

artista-refinadissimo disse...

Bom mesmo é ficar vendo Jason e filme de zumbi com os amiguinhos tomando Fanta Uva! Êêêêêêêêêê!