29 setembro 2008

Breve História

Há 13,7 bilhões de anos atrás (talvez umas semanas a mais), o universo era uma massa densa e quente que continha toda a matéria existente e, como sempre acontece quando juntamos coisas demais, essa massa explodiu. Desde então tudo está em constante e eterna expansão, até o momento em que parar e começar a se juntar de novo, algo que espero que só aconteça depois da minha aposentadoria. Desse montão de matéria que se espalhou pelo infinito de forma aparentemente caótica, fazendo com que tudo ficasse longe pra caramba, algumas coisas se organizaram umas em volta das outras, formando galáxias, sistemas solares e outras ONGs. (...)
Após esse início caloroso e estonteante, as coisas passaram a se desenvolver com uma irritante paz e sem que nada de muito interessante acontecesse, apenas uma supernova aqui, uma colisão de planetas ali, até que em uma rocha flutuante em algum lugar de um sisteminha solar mais ou menos organizado (até hoje ninguém sabe quantos planetas fazem parte dele. Os numeros podem variar de acordo com a teoria científica e o graus de escolaridade do entrevistado) algumas moléculas decidiram que seria legal se recombinarem de uma nova forma e começarem a se multiplicar. Alguns dizem que isso aconteceu por ordem superior, outros por causa de uma revolução proletária, mas o caso é que desde então aqueles que tinham mais condições de se multiplicarem, de se adaptarem a novas situações cresciam em quantidade assustadora, dominando o mundo e os que não acompanhassem eram consumidos e caiam no esquecimento genético. O governo da época tentou distribuir bolsa escola e bolsa família, mas por algum motivo isso não funcionou, alguns teóricos afirmam que é porque o dinheiro ainda não havia sido inventado, mas não se sabe ao certo.
A vida (como se convencionou chamar esse monte de moléculas organizadas que se multiplicavam) continuou se alastrando pelo planetinha de maneira mais ou menos estável, os seres se reproduziam como e quando queriam, e ninguém tinha nada com isso, até que um ator pornô conhecido por Longpodos descobriu que nunca tinha trabalhado porque o sexo ainda não tinha sido inventado. Ele chamou um grupo de amigos cientistas e propôs que eles inventassem a reprodução sexuada. Claro que os cientistas acharam a proposta completamente indecente, mas nada que algumas cervejas não resolvessem. Longpodos conseguiu um emprego, a reprodução sexuada mostrou-se muito vantajosa evolutivamente e o mundo virou uma grande suruba, comparável apenas ao cinema brasileiro dos anos 70. É uma pena que o fim de Logpodos tenha sido tão triste, pois ele desconhecia métodos contraceptivos e acabou falido com o número de pensões que tinha que pagar para seus filhos, que sabiam que sexo era bom e passaram isso para seus descendentes, que acabaram transformando-o numa necessidade vital, tipo o que aconteceu com o telefone celular. Tudo o que os seres um pouco mais evoluidos da terra fazem desde então gira em torno do sexo. (...)
O cruzamento gênico gerado pela reprodução sexuada possibilitou que várias espécies novas surgissem, uma delas foi o Homo Sapiens Sapiens, que se assemelha ao macaco, mas se acha muito sabido. Esse novo ser construiu muitas coisas notáveis com o objetivo de continuar levando os seus genes audaciosamente aonde nenhum outro ser jamais esteve, como grandes pirâmides, foguetes espaciais e o botão de ‘mute’ no controle-remoto da TV. Uma das suas invenções mais notáveis foi feita no final do século XIX, um mecanismo que permitia que duas pessoas que não estão perto (o que acontece freqüentemente, dado que o universo continua em expansão) se comuniquem em tempo real, chamado de telefone. (...)
Trecho retirado de
Keys, Roderick: Brevíssima História do Tudo.
Editora Contratempos Modernos, 2008
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Sentado na cadeira, passando as páginas da “Brevíssima História do Tudo”, Roberto contempla o telefone pensando se Sandra gostaria mesmo que ele ligasse para ela, ou só deu o número para não passar por grossa.

4 comentários:

raquel alberti disse...

aaaaaaaaaahhhhhhhhh!!!
genial!!!

Luiz Augusto disse...

Um texto bem escrito, estilo Douglas Adams, trazido para o cotidiano! Não tinha como ser ruim! :)

Carol disse...

rsrsrrsrsrs. Keys, Roderick = Rodrigo Chaves foi ótima!
ótimo texto, o único capaz de me fazer ver algum sentido na tal teoria do big bang, que eu julgava ridícula desde os 5 anos, eu acho.
quando diz que a quantidade de planetas do sistema solar varia de acordo com o grau de escolaridade do entrevistado está entre as melhores partes.
como podemos classificar este texto? um clássico, talvez? =P

diogo curtiu muito e disse...

muito legal, clássico instantâneo. dá vontade de espalhar pra todos os leigos que eu conheço! por sinal vou abrir meu e-mail e fazer isso mesmo..

Só uma correção de biólogo chato: a grafia correta fica Homo sapiens sapiens (minúscula nos 2 últimos)