06 setembro 2007

Coisas que eu odeio quando acontecem ... 5, y otras cositas mas

Puts, ontem me aconteceu uma coisa que vai ficar na minha memória como uma das coisas mais bizarras que eu já presenciei. Olha que eu já vi atropelamento, já vi um caminhão bater em uma moto num cruzamento, já vi um cara socar a cara do outro dentro do ônibus e depois ser espancado pelos outros passageiros, já vi a capa da Rolling Stone que é o Caetano Veloso e já vi cenas de sexo do filme pornô da Gretchen.
Quem leu o jornal de hoje, ou viu noticiário, viu a notícia dos dois assaltantes mortos no Bom Fim, após assaltarem uma imobiliária. Pois é. Vinha eu descendo a Thomaz Flores, indo para o meu atelierzinho, quando escuto uns quatro ou cinco tiros e vejo uma movimentação. Lá adiante, na outra quadra, vejo um carinha caindo no chão. Na hora nem me dei conta do qua era, mas fui chegando perto e vi que o carinha tinha caido no chão porque tinha levado um tiro na cabeça. Eu vi o corpo caído e pra mim ele tava morto. Todo mundo em volta dizendo que ele tava morto, mas hoje eu abri o jornal e li que ele morreu só no hospital. Mas esse não foi o ponto alto da bizarrice. Juntou aquele tradicional montinho de pessoas olhando para o corpo (como se fosse acontecer mais alguma coisa) e as pessoas estavam felizes! Então passou um taxi com o motorista buzinando e com o braço pra fora da janela tipo Pelé comemorando gol e gritando "Isso aí!". As pessoas tem uma descrença tão grande na justiça, no sistema penitenciário (e com razão) que preferem que a polícia mate mesmo os assaltantes. Ainda não sei o que pensar sobre isso....
Tá loco, se eu tivesse uns 100 metros a frente, eu podia ter levado uma bala perdida.

Como diria o Juca Chaves (que não é meu parente)

"A honestidade há muitos já sumiu
e as consequências vêm sempre depois
por isso todo dia, pra alegria do Brasil,
morre um ladrão e nascem dois."

5 comentários:

rafa disse...

Bah, tinha caido no meu esquecimento a vidinha pergiosa que levavamos no Bom Fim, ou enfim, no Brasil. Aqui em Madrid vi um dia no jornal a explicacao completa de como funcionava um "sequestro express" (como chamaram) por que as pessoas nao tem a menor ideia de que isso possa acontecer. Ai, ja caiu na rotina. Alias, a banalizacao do crime me assusta.

thi.martini disse...

ah, o velho bom fim...lembro uma vez que a gi se os a chorar pq o rafa e a fê tinham ido pagar o aluguel e houve um assalto no meio do caminho com policia e todo o circo...o seqüestro da lotação, que mandaram evacuar a nossa quadra toda aí por causa de uma suposta bomba e o nosso querido seqüestro relâmpago ali na joão telles... e o pior é que tudo isso parece tão normal pra gente... daqui a pouco tu faz até uma tirinha nova sobre isso...
Tu ficou muito chocado?

Rodrigo Chaves disse...

Me dá medo isso. Eu mesmo fiquei mais chocado com as pessoas não terem se chocado com a coisa do que com a coisa propriamente dita.
Que doidera.

raquel alberti disse...

eu fico muito chocada com a banalização da violência. eu ouvi a notícia no rádio e me impressionei muito, e quando soube que o rodrigo tinha visto o cara ser baleado, mais ainda. me assusta as coisas acontecerem assim tão perto...
o sequestro até hj é um assunto difícil pra mim.

Luiz Augusto disse...

Eu sempre fico chocado com esse tipo de acontecimento. Fico chocado com o acontecimento em si e também chocado com a minha própria reação nesses assuntos, que é pensar: Bem feito, tinha mais é que morrer mesmo!

Se eu penso isso (como muitos outros, até o ponto de comemorar como se fosse gol) é porque alguma razão tem. O Aleja mesmo disse: "...descrença tão grande na justiça, no sistema penitenciário...", e ainda vai muito além.

É interessante, também, pensar que esse assunto só está sendo debatido aqui porque o Aleja presenciou. "MENOS MAL" que ele só presenciou.