15 dezembro 2006

Deus está morto e o Papai Noel comanda o Batatal do Além!

Ontem me ocorreu uma coisa. Eu estava debatendo com os meus pais sobre a loucura que fica o Centro de Porto Alegre (e de todos os outros lugares do mundo cristão) nessa época de natal. Os camelôs dão cria! Só pode ser isso, onde tinha um, passam a ter 5. Onde tinha uma pessoa comprando, passam a ter 25. Todas as pessoas vão assumir dívidas que vão demorar um ano para pagar e daí dingonbéu, já é natal de novo, tempo de assumir novas dívidas.
Mas por quê isso? É uma questão complexa. Mas eu acho que entender a pós-modernidade, ou o homem pós-moderno, é resposta para uma grande parte dessa questão (não se assustem, não vou querer explicar toda pós modernidade aqui nesse texto).
O homem “como era antes”, ou seja, até a modernidade, quando viu-se abandonado no universo, criou valores supremos que lhes acalmassem a angústia e justificassem a existência. O Fim (para garantir um sentido na vida, um happy end) ou seja, o cristianismo; Unidade (para assegurar que o universo é um todo conhecido) ou seja, a ciência; e a Verdade, (para guiar-se pelo ser, pela natureza real das coisas) ou seja, a Razão filosófica e moral.
Mas o século XX deu cabo e destruir todos esses grandes valores, que eram pilares da sociedade. E é isso aí, Deus está morto, Marx também e eu não me sinto muito bem.
Mortos Deus e os grandes ideais do passado, o homem moderno valorizou a arte, a história, o desenvolvimento, a consciência social para se salvar. Dando adeus a essas ilusões, o homem pós-moderno já sabe que não existe céu nem sentido para a história, e assim se entrega ao presente e ao prazer, ao consumo e ao individualismo.
Até a pouco tempo atrás, no modernismo, a massa era industrial, proletária e com padrões rígidos, procurava dar um sentido à História (o progresso em direção a perfeição) e lutava em bloco por melhores condições de vida e poder político, buscando grandes metas.
A massa pós-moderna é consumista, classe média, fragmentada, flexível nas idéias e nos costumes, vive no conformismo e em nações sem ideais e acha-se seduzida pelo mass media, querendo espetáculo com bens de consumo e serviços ao invés de poder. Participa, sem envolvimento profundo, de pequenas causas inseridas no cotidiano. (associações de bairro, defesa do consumidor, minorias raciais e sexuais...)

Mas e o natal com isso? O natal já deixou de ser uma festa cristã, para ser uma festa pós-moderna, onde todas as religiões são aceitas, todos os costumes são aceitos.... O natal é a felicidade através do espetáculo, do consumismo.... de tudo o que há de mais pós-moderno. É um orgasmo, a liberação de todo o consumismo que foi repreendido (por falta de dinheiro, normalmente) o ano inteiro. É um motivo para comprar até não poder mais! De se realizar comprando e fazendo parte da humanidade! Como dizia o meu primo: “Compro, logo existo”.

“Dingombéu!
Beleza, Seu Noel!
Valeu, nêgo véio!”

bjs

4 comentários:

Érico disse...

Tá, tá... mas cadê o quadrinho?

Anônimo disse...

Papo cabeça, meu...

Luiz Augusto disse...

Eu escrevi esse poema sobre o Natal em 2004 e não falha, sempre acontecem essas discussões e coloco ele na roda. Abração!

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Natal


É tempo de festa,
Dizem na TV.
Compre um presente,
Pra mãe, pro pai, pra você.

A publicidade,
O marketing,
As luzes da cidade.

Distraem,
Hipnotizam,
Exploram a vaidade.

Transformando o Natal,
Em espetáculo do mundo.
Tornando o amor,
Motivo para consumo.

O comércio, a indústria,
O capitalismo disfarçado com luz,
Ganham dinheiro,
Usando o nome de Jesus.


Luiz Augusto
22/12/2004

Garotos Podres disse...

Papai Noel Velho Batuta!