30 janeiro 2008

Viagens do Diogo

Outro dia o Diogo chegou pra mim com uns esboços que ele tinha feito com umas idéias e pediu para eu desenhar para ele. São uns desenhos surreais, mas bem divertidos. Esse é um deles.

25 janeiro 2008

Par perfeito

Esse cartum quase aconteceu de verdade. Aliás, já deve ter acontecido em algum lugar. Encontrar o par perfeito é sempre uma saga... acho que vou escrever um texto sobre isso.
bjs

23 janeiro 2008

Acho que estou ficando morbido demais...

Piada velha, mas sempre boa.
"I must be getting morbid - I don't even answer when I speak to myself."
Prometo piadas mais felizes.
bjs

21 janeiro 2008

É importante saber seus limites...

Estou tentando e testando novas maneiras de desenhar e de fazer humor. Por isso minhas tiras estão diferentes tanto no visual quanto no "cutiúdo". Uma coisa que estou estudando e tentando são as piadas puramente visuais, sem texto. Elas são muito mais difíceis de fazer, mas me sinto mais feliz com elas. Uma coisa que também estou estudando são novos estilos de desenho, na procura que algo meu. Essa tira aí em cima, por exemplo, eu fiz sem esboço e desenhei com pincel.
"Se isso vai durar, onde vai parar, só Deus saaaaabe"
fui

15 janeiro 2008

Bibliaris Cientificarum Revisatus

Um assunto que aflige a humanidade desde tempos imemoráveis é a vida após a morte. O Além existe? Talvez, mas deve ficar longe pra caramba e eu só iria lá se fosse barato e tivesse carona pra voltar pra casa depois. A existência de algo mais além desta vida sempre foi uma unanimidade entre a humanidade e também entre os melros, mas de uns séculos para cá, surgiu o pensamento ateísta, defendido principalmente pelos cientistas, que, como um parente chato, insistem em sempre ter razão. Não existe Deus, não existe vida após a morte, não existem gnomos... Mesmo a existência de coisas bastante plausíveis como os famosos unicornios rosas comedores de McDonald’s dos subterrâneos de Vênus são rechaçadas pelo argumento de que a sua existência não pode ser comprovada usando o método científico.

Abrindo um parênteses, os cientistas argumentam que a cena de unicórnios comendo Mc Donald’s nos subterrâneos de Vênus seria um tanto improvável, já que os pobre seres monochifrudos não teriam onde guardar dinheiro, portanto não poderiam pagar os preços abusivos cobrados na lancheria. “Se eles ainda comessem no Xis da esquina, dava pra engolir, pois há vantagens evolutivas nisso, mas no McDonald’s, nem pensar”, disse Darwin ao parapsicólogo enviado especial de Contratempos Modernos.

Respondendo a esse questionamento fundamental, o grande estudioso E. Guimarães teve uma revelação teológica que não foi aceita pelos cientistas, embora se mostre bastante lógica e um tanto brega: Os Unicórnios podem pagar pelos seus lanches, já que eles usam pochetes onde guardam o dinheiro. O ponto da discórdia com a maioria dos cientistas é que o grande filósofo teve a sua revelação a respeito das pochetes durante um porre de Marula com Absinto e não tem nenhuma prova de que sua revelação seja verdadeira. Desde então é atribuída a esse grande estudioso a célebre frase: “Também, ceva a vinte pila!” Mesmo assim, o número de seguidores da seita dos Unicórnios Venusianos aumentou em mais de 100% desde a última década, calculando-se que sejam no número de 3.

Voltando então à questão bíblica que não tinha sido anunciada ainda, o Vaticano liberou hoje uma nota que confirma os rumores de que no início de 2007 contratou um grupo de cientistas para revisar a Bíblia e transformá-la em algo mais “cientificamente correto”. O projeto teria sido cancelado quando o Papa foi conferir uma pequena prova do resultado e repetiu um dito latino atribuido ao apóstolo Pedro quando os romanos chegaram para capturar Jesus: “Putae que parius, agorae fudeus”, que em bom português significa, “Isto está errado, irmãos de fé”.

Mas a questão é muito mais profunda do que a reação do Papa. Do princípio até o final dos trabalhos, houve uma discordância generalizada entre o Vaticano e os cientistas, entre os próprios cientistas, entre os próprios bispos e entre os ursos e salmões do Alasca . Já nessa pequena prova que foi levada ao conhecimento do Papa, a Bíblia foi resumida a 50 páginas e começava com um abstract. Muitas histórias e fábulas foram substituídas por episódios de Baywatch e Jornada nas Estrelas e um ponto de grande discordância (inclusive gerando um racha entre os cientistas) era se havia orks na arca de Noé. As facções de cientistas começaram a se atacar. Os anti-orks acusavam os pró-orks de anti-darwinismo, enquanto estes tocavam bolinhas de papel nos adversários. Também se formou o grupo dos pró-orks-cristãos, que promovia o pensamento da existência pacífica entre ursos e salmões e utilizava o slogan: “Urso ama salmão! Corinthians na segunda divisão!” Este grupo foi o responsável pela supressão das Cartas aos Corintios e a substituição dessas por uma longa risada.

Muitos outros pontos de divergência surgiram ao longo do trabalho, o que tornou essa empreitada impossível para ambas as partes e portanto cancelada por tempo indeterminado, ou até o juizo final, o que acontecer primeiro. O estopim para a ordem papal de cancelamento do projeto teria sido, de acordo com os boatos, a substituição da palavra “Deus”, por “Darth Vader” ao longo do texto.

Parece que o único assunto entre os cientistas e os bispos que realmente se desenvolveu sem ofensas pessoais foram as dicas de sexo, pois o sonho de todo cientista é ter a vida sexual tão ativa quanto a de um bispo.

10 janeiro 2008

Virtuose

Semana passada eu estava tentando aprender a tocar "The Trooper"..... não deu.....

Mas para essa tira, eu não conseguia desenhar um violinista legal, então abri um livro do Quino (Deus) e me inspirei. Acabou que o desenho do primeiro quadrinho é bastante parecido com um violinista que aparece em uma história dele. Valeu Quino, olhar os teus livros sempre me ajuda a encontrar soluções legais para os desenhos!

07 janeiro 2008

04 janeiro 2008

Toda arte é completamente inútil



“Toda arte é completamente inútil”, brada Oscar Wilde no prefácio de “O Retrato de Dorian Gray”. Eu digo que a arte e o objeto artístico tem uma única utilidade, a contemplação, e isso é uma das características que o definem como “arte”. Mas porque estou falando sobre isso? OK, OK, vamos começar do princípio.
Eu, como bacharel em arte e professor de desenho e pintura, tenho que ouvir quase todo dia perguntas do tipo “isso é arte?” e pessoas querendo me convencer que o freezer da Yopa é arte porque é bonito. Outro dia, um amigo meu afirmava que existem propagandas de TV que são arte, porque são bonitas e ‘enchem os olhos’. Então resolvi falar sobre uma das coisas que definem “o que é arte”. A sua inutilidade. Vejam bem que eu estou dizendo que é “uma das coisas que definem” e não “A definição”.
O que tinha na cabeça a pessoa que criou a figura no freezer da Yopa, ou a belíssima propaganda de TV? Vender um produto. A pessoa se utiliza de recursos visuais (muitos deles oriundos de conhecimentos artísticos) para seduzir o consumidor e fazê-lo comprar alguma coisa. E esse é o único objetivo de todo o trabalho. Não importa o quão belo ele seja, se o produto não tiver um aumento nas vendas, o trabalho foi mal feito. Isso é publicidade, é design ou qualquer outra coisa, mas com certeza não é arte. A arte não tem outro objetivo senão ela mesma, a arte não é utilitária.
A inutilidade inclusive já foi usada como recurso artístico. Vamos lembrar o famoso urinol do Duchamp, precursor da arte conceitual que introduziu a idéia de ready made na arte ao colocar objetos comuns (um urinol, uma pá, uma roda de bicicleta) como arte. Mas o que foi necessário que ele fizesse para que esses objetos utilitários se transformassem em obras de arte? Foi preciso que (entre outras coisas) ele retirasse dos objetos a sua funcionalidade. Em 1917, ele pegou um urinol comum de louça, assinou “R. Mutt” e datou “1917” e colocou-o como objeto artístico. No momento em que ele transformou o mictório em arte, ninguém mais poderia usá-lo para a sua finalidade, ou seja, urinar nele, e isso foi um fator importante para que o objeto fosse aceito (não no momento, mas posteriormente) como arte. E assim se constitui o ready made, muito popular no século XX, pegam-se objetos utilitários cotidianos e retira-os de de seu contexto, levando embora a sua funcionalidade e deixando apenas o objeto que existe senão para ele mesmo e para a contemplação.
O freezer da Yopa poderia vir a ser um objeto de arte? Sim, eu poderia fazer um ready made com ele. Mas com certeza ele não é arte cheio de sorvete e dentro de um bar na Lima e Silva. Ali ele está cumprindo a sua função de vender sorvete. A belíssima propaganda de TV poderia vir a se tornar arte? Sim, mas com certeza não é arte passando durante a novela das 8 com o objetivo prático de vender um produto.
Existem outros fatores que definem que o freezer e a propaganda não são arte? Com certeza. A unicidade da obra (só no caso freezer), a inserção no momento histórico-artístico (também conhecido por “isso não acrescenta nada ao universo da arte”) e outras coisas que eu até posso vir a falar em outros momentos.
Bjs
Até a próxima